Pais e filhos?

Postado por Munalú em 19/02/2016 16:54:11

Dedicar a vida aos filhos é o mínimo a ser feito por aqueles que escolheram essa missão. Ser pai ou mãe é uma tarefa árdua, mas gratificante quando feita da forma correta.
Sempre vemos comentários sobre como os filhos de hoje são ingratos e superficiais, que não têm respeito pelos pais e outras coisas mais. Entretanto, vamos refletir um pouco sobre o outro lado da moeda desta vez.
Do mesmo jeito que existem filhos problemáticos, há pessoas que deveriam pensar muito antes de escolher ser pai/mãe. Existem muitos exploradores que não pensam duas vezes em fazer dos seus filhos verdadeiros escravos, que são obrigados a trabalhar para seus pais sem salário, sem registro em carteira, sem nenhum amparo da lei e ainda são intitulados (pelos próprios pais e pela sociedade) de "vagabundos". Essas pessoas acham que os filhos são "bonecos" que devem fazer tudo o que é dito a eles, sem questionamentos ou queixas. Trabalham a troco de casa e comida, porque, na concepção de seus genitores, "eles já deram muito gasto até então e chegou a hora de retribuir".
Geralmente pais com esse perfil são donos de pequenas empresas ou autônomos, às vezes têm poucos ou nenhum funcionário e pensam que são donos de seus filhos, tratando-os de forma humilhante na frente dos outros funcionários ou até mesmo de clientes e fazendo-os passar constantemente por situações vexatórias e constrangedoras. Além disso, ainda bancam a vítima dizendo aos filhos quão ingratos eles são porque não "percebem a chance que estão tendo" de trabalharem para ele/ela e não para um patrão qualquer. Será?
Será que é realmente uma dádiva isso que alguns pais estão oferecendo aos seus filhos? Pensando bem, se eles fossem trabalhar para um estranho, teriam todos os seus direitos reconhecidos pela lei e caso fossem maltratados, estariam livres para pedir demissão, sem constrangimento ou chantagem; teriam o direito de receber todas as verbas rescisórias devidas e poderiam procurar outro emprego.
Vamos fazer um parênteses aqui: sabemos que existem funcionários (que não são parentes do dono da empresa) que vivem situações, não iguais, mas próximas a essa. Nesse caso, nossa recomendação é que o funcionário estabeleça limites e não se deixe levar pelas palavras mal-intencionadas de seu patrão. Trocar de emprego talvez seja a atitude mais coerente e, se for algo muito grave, essa pessoa deveria procurar a justiça e fazer valer seus direitos, pois ninguém veio a este mundo para ser controlado por ninguém. Deus nos deu o livre-arbítrio e nem Ele nos obriga a fazer nada que não queremos. Quem é o ser humano para querer oprimir alguém?
É nesse momento que os filhos de pais abusivos saem perdendo, pois eles não podem simplesmente "trocar" de família. Como poderão sair do trabalho se a pressão psicológica continua dentro de casa? E, como muitos desses filhos não têm remuneração, como vão sair de casa para não sofrer tais abusos? O mais triste é que frequentemente não existem provas dos abusos sofridos e se os filhos tentam entrar com uma ação na justiça contra seus pais, a sociedade os destrói com julgamentos abomináveis e falsos moralismos, e os deixam marcados para sempre. Quer dizer não tem saída!
Ainda por cima, quando o pai morre e a empresa "morre" junto com ele (o que ocorre com frequência nas pequenas empresas), apesar de se ver livre dessa situação degradante, o filho fica sem ter onde se apegar:
a) ele não pode dar continuidade à empresa, pois muitas vezes foi impedido de tirar um diploma que lhe conceda esse privilégio;
b) ele não pode ter a própria empresa, por não ter recursos financeiros para isso;
c) e, como na grande maioria das vezes não é feito o registro em carteira, o filho tem grandes dificuldades para conseguir um emprego, já que não tem como comprovar seus anos de experiência. Isso é justo?
Os abusadores geralmente se referem aos seus filhos como "ajudadores dos negócios da família". Porém, o que acontece na verdade, é que passam os melhores anos da vida "ajudando" seus pais a manterem o negócio e depois saem sem nada. Infelizmente a sociedade não quer saber se ou quais dificuldades esses filhos passaram. No fim das contas, o que interessa é se têm experiência comprovada e diploma, do contrário são marginalizados.
Falar dos jovens é muito fácil porque eles são irreverentes mesmo e a juventude de hoje não sente muito o peso da responsabilidade. Nem todos são assim, mas a grande maioria é. Aqueles que já passaram por esse processo, deveriam ter um pouco de paciência com eles e ajudar a encontrar os ajustes necessários para que se tornem adultos estáveis, bem resolvidos e de bem com a vida. Deveriam se tornar guias ou mentores para eles. O que você aprendeu com sua experiência pode ser a iluminação que falta para aqueles que ainda estão perdidos pelo caminho. É assim que conseguimos fazer do mundo um lugar melhor para viver: com pessoas que sabem exatamente qual é o seu papel na grande obra de Deus.
"Filhos, obedeçam a seus pais no Senhor, pois isso é justo. 'Honra teu pai e tua mãe' – este é o primeiro mandamento com promessa – 'para que tudo te corra bem e tenhas longa vida sobre a terra'. Pais, não irritem seus filhos; antes criem-nos segundo a instrução e o conselho do Senhor." (Ef 6.1-4).
Trate seus filhos como eles merecem ser tratados, dando limites e responsabilidades, sem querer fazer deles "marionetes" para seu bel prazer. Seja um exemplo para eles, um modelo a ser seguido. Assim, eles vão honrá-lo e respeitá-lo por toda a vida!


Mais Artigos

Como identificar um péssimo parceiro

Como identificar um péssimo parceiro

Confira algumas dicas e evite ser a próxima vítima daqueles que nasceram apenas para fazer os...

A importância da família na construção do caráter dos cidadãos

A importância da família na construção do caráter dos cidadãos

A origem da sociedade está na família, que é onde os pensamentos das pessoas são moldados....

Envie seu comentário